A primeira mesa redonda debruçou-se sobre “Desafios Éticos no Uso de Tecnologias Digitais no Ensino e Investigação”, com contribuições do Prof. Dr. Humberto Muquingue e do Prof. Dr. Ivan Collinson, sob moderação da Prof.ª Doutora Neusa Jessen. O debate percorreu a regulação ética de softwares médicos, a privacidade de dados no ensino digital e a necessidade de normas comuns para a inovação entre os países da CPLP.
Foram discutidos critérios para seleção e avaliação de ferramentas digitais usadas em contextos académicos e clínicos, incluindo requisitos de segurança, gestão de consentimento e mecanismos de resposta a incidentes. Os participantes defenderam a inclusão de auditorias independentes e relatórios de impacto ético como rotina nas instituições de ensino e investigação.
Os intervenientes enfatizaram que a transformação digital na saúde só se sustenta com princípios claros de proteção de dados, transparência e responsabilização. A padronização de boas práticas – desde o consentimento informado em ambientes virtuais até auditorias de sistemas – surge como condição para mitigar riscos e promover confiança.
Outro ponto crítico foi a desigualdade de infraestruturas e de literacia digital entre países e instituições. Isso exige abordagens graduais e colaborativas, com partilha de recursos e formação contínua, de modo a evitar a ampliação de assimetrias no acesso ao conhecimento e às oportunidades de investigação.
- Pilares propostos: privacidade, interoperabilidade e transparência.
- Instrumentos práticos: normas comuns, auditorias éticas e capacitação.
- Risco a evitar: aprofundar assimetrias digitais no espaço lusófono.
A mesa consolidou a ética como eixo estruturante da inovação, preparando o terreno para discutir aplicações clínicas e cirúrgicas de novas tecnologias na CPLP.